Promessa de Silêncio
Ela jurou, na pureza da infância,
Viver pra Deus, em sua constância.
De olhos castos e mãos tão firmes,
Fez da espera um fardo sublime.
A juventude passou como um rio,
E nele afundou todo sonho tardio.
Amores vieram, tão breves, tão vãos,
Desfizeram-se ao toque das mãos.
A cada estação, a esperança minguava,
Mas no peito a fé ainda pulsava.
"Quando o tempo chegar, será verdade,
Um amor eterno trará felicidade."
Mas eis que o tempo, sorrateiro e cruel,
Trouxe espelhos, silêncios e o véu.
O que ela esperava nunca chegou,
E no altar da decepção, seu coração pousou.
“Não mais espero o que não virá,
Meu amor é santo, minha vida será.
Na clausura, meu espírito repousa,
Ao eterno esposo, minha alma é esposa.”
E assim, com os votos firmados na luz,
Deixou pra trás o que não a conduz.
Ela jurou ser freira, e no juramento,
Enterrou o amor que foi só um lamento.
Lucileide Flausino Barbosa
Enviado por Lucileide Flausino Barbosa em 10/12/2024